Programa de erradicação de ratos é iniciado em Galápagos

por John Platt

O Parque Nacional de Galápagos lançou um projeto para proteger as espécies ameaçadas do famoso arquipélago por meio da eliminação de ratos introduzidos. Assim como foi feito em outros lugares, como na Ilha Christmas, na Austrália, os ratos de Galapagos serão combatidos com alimentos com veneno jogados de helicóptero, em nove das pequenas e médias ilhas do arquipélago.

O projeto teve início em 2008 com um piloto na Ilha Seymour. Na ocasião, o veneno foi manualmente dispersado. Em 2010, a ilha foi avaliada e definida como “livre de ratos”.

Segundo uma reportagem da agência Canadian Press, “Os alimentos envenenadas são pequenos cubos azul-claro que atraem os ratos, mas são repulsivos aos leões-marinhos e aves que habitam as ilhas”.

Dessa vez, os pilotos usarão dados de GPS para dispersar os alimentos sobre toda a superfície das ilhas. As “iscas” serão colocadas duas vezes, com intervalo de sete dias, e o objetivo é matar todos os ratos das ilhas nesse período. O custo dessa fase do projeto é estimado em pouco menos de US$ 1 milhão.

Uma vez que os ratos estejam eliminados, algumas outras espécies introduzidas – como plantas e invertebrados ─ que têm um menor impacto sobre os ecossistemas de Galápagos também serão combatidas, embora os métodos de combate não tenham sido esclarecidos.

De acordo com a Galapagos Conservancy, os cientistas realizaram uma análise de risco para ter certeza de que as iscas envenenadas não afetarão as espécies nativas. Não é provável que a maioria delas, incluindo os famosos tentilhões de Charles Darwin, comam as iscas, mas uma espécie em especial corre risco de contaminação, o Gavião de Galápagos (Buteo galapagoensis), pois poderia capturar e se alimentar de roedores que consumiram as iscas. Para protegê-los, 20 desses gaviões foram capturados e serão mantidos em cativeiro por dois meses até que nem o veneno e nem os ratos representem mais risco às aves.

Três espécies de roedores introduzidos, que chegaram às ilhas em barcos, podem ser encontradas em todo o arquipélago, incluindo o rato comum (Rattus rattus), o rato marrom (R. norvegicus) e, em menor grau, o camundongo. Eles representam ameaças a tartarugas, iguanas e 50 diferentes espécies de aves marinhas e terrestres por comerem ovos desses animais e por serem portadores de parasitos e doenças.

O gerente do projeto, Víctor Carrión, disse que levará 20 anos para livrar totalmente o arquipélago de ratos invasores.

Extraído do site: Scientific American

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