O museu da televisão brasileira

Por Guilherme Bryan

A primeira câmera de televisão que chegou ao Brasil, um dos primeiros refletores de luz da TV Tupi e o uniforme completo daquele que talvez seja o primeiro super-herói da telinha brasileira, Capitão 7, da TV Record. Esses são apenas alguns dos objetos que podem ser vistos no provisório Museu da TV, localizado em uma residência da Rua Vargem do Cedro, 140, no Sumaré, em São Paulo.


Desde 1995, o museu é mantido por um grupo de pioneiros, profissionais e incentivadores, liderados pela veterana atriz Vida Alves. “Estava afastada da televisão desde 1980. Em 1995, no enterro do colega e diretor Cassiano Gabus Mendes, pensei ouvir sua voz, dizendo-me: ‘Vida, faça esse trabalho’. Como estava afastada, pensei: ‘sempre trabalhei na televisão, agora vou trabalhar pela televisão’. Procurei ex-colegas e com eles fundei a Associação dos Pioneiros da Televisão Brasileira, que a princípio recebeu o nome de Apite e hoje se chama Pró-TV. A idéia coletiva foi que o importante era criar o Museu da Televisão Brasileira. Continuamos com o objetivo de erguer realmente um museu em São Paulo, cidade que abrigou, em 18 de setembro de 1950, a primeira emissora de televisão do Brasil e quarta do mundo: a TV Tupi, o que nos dá muito orgulho”, conta a empreendedora. Enquanto não possui um local apropriado, o tal museu segue instalado provisoriamente na casa de três andares da atriz.


No térreo, encontram-se mais de 2800 fotos raras, em sua maioria espalhadas pelas paredes. Vários televisores antigos, assim como medalhas e outros objetos estão amontoados no andar superior, onde há uma biblioteca formada por dezenas de títulos relacionados à história da TV e recortes de revistas e jornais referentes às décadas de 1950 e 1960. Por fim, o subsolo possui um salão devidamente equipado para reuniões e exibição de vídeos raros, como um documentário realizado durante as comemorações dos 25 anos da TV Tupi.


Uma das maiores preciosidades do museu são os acervos pessoais de alguns profissionais, caso de Julio Medaglia e Cyro Del Nero, além de uma série de depoimentos gravados por quem fez a história desse veículo de comunicação no Brasil. Só para ter uma idéia da riqueza histórica, entre as personalidades que compõem essa videoteca estão: o dramaturgo e novelista Dias Gomes; as atrizes Dercy Gonçalves, Nicete Bruno e Eva Wilma; os atores John Herbert e Paulo Goulart; o empresário João Saad; o ator, apresentador e dublador Lima Duarte; o produtor Boni; do diretor Walter Avancini; o palhaço Arrelia e por aí vai.


Além do museu, a Pró-TV mantém no ar um site (
http://www.museudatv.com.br ) que, além de atualizar o usuário a respeito das novidades do veículo, disponibiliza vídeos, fotos e vinhetas, assim como scripts de programas, registrando os primeiros anos da televisão no país. Entre as conquistas mais festejadas da Associação, no entanto, está a oficialização de um dia nacional da TV – 18 de setembro. Nessa data, todos os associados se encontram para realizar uma série de atividades e, principalmente, relembrar os grandes momentos de suas carreiras, bem como celebrar à própria história da Comunicação no Brasil.

Extraído do site da Revista Cult

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