Como fazíamos sem… Cafezinho

Leitinho tirado na hora: opção para espantar o sono

 

36_almanaque_cafe_h.jpg

Faz muito tempo que o homem usa substâncias estimulantes socialmente. Os primeiros registros da utilização de chá – a mais antiga delas – datam de 2737 a.C., na Ásia.

Ele teria sido descoberto pelo imperador chinês Shen Nung, que, quando ia tomar água fervente (um costume à época), acabou bebendo o resultado da infusão de algumas folhas que caíram de uma árvore, a Camellia sinensis, dentro de sua xícara.Ele sentiu-se revigorado – e, claro, também deve ter achado o sabor bem melhor que o da água quente.

As folhas de coca também podem ser apontadas como um dos primeiros estimulantes. Foram encontrados vestígios delas em múmias egípcias datadas de 1070 a.C. – no entanto, não se sabe se elas eram usadas recreacionalmente ou com fins médicos, como um anestésico.

O café foi, porém, o primeiro produto anunciado e vendido como estimulante. Descoberto na Etiópia por volta de 800 a.C., já na época era considerado perigoso – deixava o povo acordado e disposto a discutir.

A bebida chegou à Europa séculos depois, impulsionada pelo sucesso do chá. Após o século 15, o chá, já bem popular no Oriente, foi sendo conhecido pelos portugueses e comercializado pelos holandeses. Duzentos anos mais tarde, o café seguiu o mesmo rumo, saindo da Turquia, onde era bastante consumido.

Antes da fama, ele chegou a ser proibido na Turquia do século 14 e dava cana para quem fosse pego bebendo-o: seis meses de prisão. Na Itália, o povo chegou a pedir ao papa Clemente VIII, em 1615, que declarasse que o cafezinho era a “bebida do demônio”. Mas, em vez de excomungar a bebida, o papa acabou é virando seu fã – e chegou a abençoá-la.

O conceito de “café da manhã” é uma invenção do século 18. Os antigos europeus acordavam com o nascer do sol e não tinham uma bebida específica para espantar o sono. Antes de conhecerem o café, os mais ricos bebiam leite ordenhado na hora ou vinho quando acordavam. Os pobres encaravam água ou cerveja logo de manhã – até as crianças.

O café é tão importante para o Brasil que está presente até no brasão republicano. Foi o oficial português Francisco de Mello Palheta quem trouxe, escondidas em suas roupas, as primeiras mudas para o país, em 1727, a pedido do governador do Grão-Pará, João da Maia da Gama.

Demorou para a plantação vingar: só em 1781 é que a produção começou a dar certo, no Sudeste do país. Em 1825, quando o Haiti, grande exportador mundial, entrou em guerra contra a França, viramos de vez a pátria do café.

O “ouro verde” foi nosso maior tesouro até a crise mundial de 1929, quando os produtores tiveram que queimar café para conter a queda dos preços. Hoje em dia, o Brasil produz cerca de 30% do café consumido no mundo e é o segundo maior mercado consumidor, atrás somente dos Estados Unidos.

Anúncios