Excesso de liberdade atrapalha jovens no vestibular

Na tentativa de evitar pressionar o adolescente na hora da escolha da profissão, muitos pais acabam deixando toda a responsabilidade nas mãos dos jovens. Pensamentos do tipo “não posso interferir na escolha dele”, “não vou tomar a decisão por ninguém” ou “ele tem que fazer o que gosta” são tão prejudiciais quanto o caminho oposto.A falta de apoio nessa hora pode fazer com que o aluno se sinta perdido e tenha ainda mais dificuldades na hora do exame. “A escolha da profissão é um momento de muita fragilidade para o adolescente, porque ele pensa que ela será definitiva”, relata a psicóloga Larissa de Medeiros.

Para a pesquisadora da Universidade de Brasília, a omissão dos pais também é uma forma de pressionar o jovem. “O adolescente pensa que, se tomar a decisão errada sozinho, não terá ninguém para dividir o sentimento de culpa depois”, acrescenta.

“Minha mãe só me disse para pensar bem, que é o meu futuro”, comenta a estudante Tatiana Schmidt, 17 anos. No primeiro vestibular, a escolha dela deve ser Direito ou Administração Hospitalar. “Fico em dúvida, acho que posso fazer várias coisas e me adaptar a muitas profissões”, diz.

Neste caso, o conselho da psicóloga para os pais é manter o equilíbrio nas atitudes com os filhos pré-vestibulandos. Por mais difícil que seja e por menos preparado que o jovem esteja, a responsabilidade da decisão é dele e isso deve ficar claro. “É complicado para os pais lidar com essa situação, porque nem sempre o que eles pensam é o melhor para os filhos”, explica Larissa.

A psicóloga alerta ainda para a possibilidade dos pais basearem a orientação nos próprios conflitos da adolescência. Uma delas é a vontade de que os jovens realizem tudo o que os pais não puderam. O contrário é o desejo de ver o filho dando continuidade à história dos ascendentes.

“Meu pai é advogado e sempre me incentivou a seguir a carreira dele”, conta o ex-aluno do curso de Ciências Jurídicas da PUC-RS Luiz Henrique Santana. Aos 21 anos, abandonou as aulas de Direito após dois anos porque descobriu que quer ser médico. “Eles foram muito legais nessa hora, entenderam e me ajudaram a começar tudo de novo”, desabafa.

O estudante Rafael Dagostini, 18 anos, afirmou que os pais, a mãe professora e o pai contabilista, tiveram papel fundamental na hora da escolha. Candidato a uma vaga no curso de Publicidade e Propaganda, o jovem conta que teve total liberdade para tomar a decisão, mas que pediu ajuda para tirar dúvidas. “Meus pais me contam as experiências deles e assim eu posso ver se é bom para mim”, avalia Rafael.

Como qualquer relação humana, o segredo é o diálogo. Conversar com o pré-vestibulando é a melhor maneira de se mostrar presente e dar apoio sem pressionar. “Os pais podem indicar caminhos para o jovem buscar informações sobre as profissões”, aconselha a psicóloga.

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