Sementes no Gelo

Sementes do Gelo— Papai! Está acordado, papai? O homem ouve o pequeno ser que caminha em seu quarto. Cobre-se
ainda mais, como se um frio sobrenatural tomasse conta do lugar. O menino caminha lentamente,
aproximando-se pé ante pé do leito onde repousa seu pai. Dá uma série de pulinhos, como se brincasse de
amarelinha. O menino abaixou-se e arremessou uma bolinha no assoalho. O brinquedo de vidro rolou pelo
chão de tacos, produzindo um horripilante som fantasmagórico.
O homem estremeceu. Virou-se repentinamente, ainda deitado, deixando apenas os olhos espiarem o
quarto pela fresta que arranjou no pesado cobertor. O som da bolinha de gude era assustador porque não
deveria existir brinquedo algum ali. Não deveria existir menino tagarela nenhum em seu quarto. Não tinha
filho que pudesse chamá-lo de papai. Tinha agora, ali, diante de seu olho amedrontado, uma espécie de
espectro que andava, falava e saltitava amarelinha. Um fantasma que o chamava de papai.

O leitor irá ingressar no território dos espíritos atormentados, impedidos de reencarnar. Muitos se enraivecem e lançam sua fúria sobre todos que lhe chamam atenção ou cruzam seu caminho. Um detetive, por acaso, desvenda os mistérios em torno desses espíritos, tornando-se o inimigo número um das perigosas e assustadoras entidades.

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