Direito ou desvio?

Junho 27, 2008 by jojomaravilha
REVISTA EDUCAÇÃO - EDIÇÃO 134
A educação domiciliar, que começa a ganhar corpo entre famílias brasileiras, tem como inspiração práticas comuns nos Estados Unidos. Na interpretação de especialistas, a Constituição Federal não permite sua adoção no Brasil
 

Valéria Hartt

A escola não faz parte da rotina do menino Lucas, 9 anos, e de sua irmã Júlia, 8. As crianças, moradoras de Maringá, noroeste paranaense, deixaram de freqüentar o ensino regular há cerca de um ano para estudar em casa, onde recebem aulas de catecismo, língua portuguesa, geografia e ciências. O pai, Luiz Carlos Faria da Silva, pensava em recorrer à Justiça para ratificar o direito ao ensino domiciliar, já que está decidido a afastar os filhos da escola formal, “um caminho deletério de corrupção moral e intelectual”. Agora, amadurece a idéia de deixar o ônus de uma atitude a terceiros, para que possa manter os filhos longe da escola e, ao lado da esposa, continuar a cuidar de sua instrução, sem despertar os representantes do Estado para que requeiram a matrícula de ambos no ensino regular.

Faria da Silva teme enfrentar complicações com a Justiça, como aconteceu com a família Nunes, no interior de Minas Gerais. Moradores de Timóteo, a 216 km de Belo Horizonte, o casal Cléber de Andrade Nunes e Bernardeth Nunes protagoniza o mais novo capítulo do embate que, de tempos em tempos, confronta a Justiça e os adeptos do homeschooling, o ensino domiciliar. Desde o ano passado, os Nunes respondem a dois processos - um criminal, por abandono intelectual; outro cível, por infringir o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que já resultou em uma condenação. O casal recorreu e a briga promete se arrastar na Justiça. Enquanto isso, os filhos Davi, 15 anos, e Jônatas, 14, recebem aulas em casa. Há mais de dois anos não vão à escola.

Os pais reclamam a liberdade de escolher; o Estado, o dever de assegurar a educação dos menores e fazer valer os preceitos constitucionais.

“Queremos garantir o direito de educar e instruir nossos filhos”, diz Faria da Silva, doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Não aceitamos que o Estado passe por cima da família e decida como educar nossos filhos, inclusive, confrontando os princípios e os fundamentos da moral na qual os educamos”, argumenta.

Soa óbvio que lugar de criança é na escola, mas há famílias que se ancoram em convicções morais, religiosas e, principalmente, no fracasso do sistema oficial de ensino, para pleitear o direito de ensinar em casa. Casos como os da família Nunes e da família Silva não são isolados. É de se prever outros tantos Brasil afora, a maior parte na clandestinidade.

No bairro de Santo Antônio, em Chapecó/SC, um casal de missionários repete os mesmos argumentos e inicia em casa a instrução do filho mais velho, sem intenção alguma de integrá-lo ao ensino regular. A experiên­cia é descrita no estudo acadêmico Educação domiciliar: uma visão geral do homeschooling no Brasil, desenvolvido por Fábio Stopa Schebella e apresentado à Universidade Comunitária Regional de Chapecó.

Schebella registra que o pai da família pesquisada também recebeu instrução em casa, equivalente ao ensino médio. É nascido nos Estados Unidos, embora tenha vivido boa parte do tempo no Brasil, em especial no Rio Grande do Sul, nas cidades de Nonoai, Gramados dos Loureiros e na área indígena de Bananeiras, onde sua família, também missionária, realizou trabalho de caráter religioso entre os índios kaingang. É descrito pelo pesquisador como bacharel em missiologia (estudo sobre a missão de uma determinada igreja), título conquistado em um seminário não especificado, que não requer comprovação de escolarização prévia.

O estudo analisa ainda “outros sujeitos de Chapecó e região que foram instruídos por meio do ensino em casa”, e aponta que também tiveram em sua formação forte influência do modelo norte-americano. “Como se percebe, o único empecilho decorrente do homeschooling para as pessoas pesquisadas se restringe à falta de certificação por parte do Estado brasileiro”, conclui Schebella.

Além desses casos, há aqueles em que pais de crianças com necessidades especiais, por exemplo, ao sentir que seus filhos não são adequadamente atendidos por professores que, na maioria das vezes, não têm preparo específico para lidar com suas deficiências, preferem eles próprios assumir a tarefa.

Direito ou arbítrio
Mas, afinal, os pais são mesmo obrigados a matricular os filhos na escola ou têm a opção de eles próprios serem os responsáveis pela educação e instrução dos menores?

“Não é reconhecida essa possibilidade de os próprios pais ensinarem os filhos em casa. O que a lei quer é a matrícula no ensino formal”, sustenta Murilo Digiácomo, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Criança e do Adolescente do Paraná, para quem o Estado tem o dever de intervir nas situações em que a criança ou o adolescente estão fora da escola. Para o representante do Ministério Público do Paraná, os pais infringiram princípios constitucionais, contrariaram o Código Penal, feriram o ECA, o Estatuto da Criança e do Adolescente, e ainda a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9394/96).

O debate é recorrente. Há aqueles que defendem com veemência a idéia do ensino domiciliar e outros tantos, ainda em maior número, rechaçam a proposta.

A família Nunes, de Timóteo, Minas Gerais: “anseio legal para a legitimação do ensino domiciliar”

Em 2001, a polêmica chegou ao Superior Tribunal de Justiça, onde Carlos de Vilhena Coelho e Márcia Vilhena Coelho impetraram um mandado de segurança para garantir o direito de ensinar em casa os três filhos mais velhos, à época com 9, 8 e 6 anos de idade. As crianças, apesar de formalmente matriculadas no Colégio Imaculada Conceição, de Anápolis/GO, nunca haviam freqüentado regularmente a escola. Recebiam instrução em casa, dos pais, indo ao colégio apenas para a entrega de trabalhos ou para a realização de provas. Com o instrumento jurídico, Carlos e Márcia pretendiam garantir aos filhos o reconhecimento do ensino domiciliar e a emissão de um diploma quando concluíssem mais tarde o ensino fundamental.

“A família concluiu que chegou a hora de buscar o reconhecimento estatal dessa modalidade de educação”, registra a petição, assinada pelo representante jurídico do casal, o ex-procurador-geral da República, Aristides Junqueira.

Perderam por seis votos a dois. Seis dos oito ministros do Supremo Tribunal de Justiça não reconheceram a validade dos argumentos da defesa, que questionou o Parecer 34/2000 do Conselho Nacional de Educação, evocando a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a própria Constituição brasileira.

Ao atacar a visão do CNE, o pedido do mandado de segurança impetrado pelos Vilhena queixava-se de cerceamento. “(…) o Estado brasileiro deixaria de ser democrático para ser absolutista, totalitário, posto que desrespeita a liberdade de educação: ou a escola ou a escola, mas sempre a escola!”. Conclui que o mesmo parecer ” feriu-lhes o direito líquido e certo de, na qualidade de pais, educarem em casa seus filhos menores, afrontando, assim, os direitos humanos e as normas constitucionais brasileiras”.

Lançado em 2006 nos Estados Unidos, o documentário Acampamento de Jesus (Jesus Camp, foto), candidato ao Oscar no ano passado, mostra uma comunidade religiosa em Dakota do Norte, nos Estados Unidos. No filme, uma mãe que educa o filho em casa diz: “Não vou mandar meu filho para a escola. Lá eles ensinam mentiras como aquecimento global e evolucionismo”.

Valorização curricular
Outra base da argumentação dos Vilhena Coelho apoiava-se no desempenho escolar das crianças, seguindo um discurso amplamente difundido pelos adeptos do ensino em casa. Sem escolarização anterior, tiveram de ser avaliados antes de formalizar a matrícula, como prevê a LDB. O mais velho foi classificado na 5ª série antes de ter completado 10 anos; a menina obteve classificação na 4ª antes dos 9 anos completos, enquanto o caçula foi inscrito na 1ª série aos 6 anos, quando ainda era facultativa a matrícula no ensino regular. E, ao longo do período letivo, demonstraram aproveitamento acima da média.

“Como poderá atestar a mencionada unidade escolar, os resultados obtidos nas disciplinas tidas por obrigatórias foram bastante satisfatórios, inserindo-os entre os primeiros lugares de suas turmas”, registra o instrumento jurídico.

O mesmo argumento é usado agora pela família Nunes. Para provar que não existe o abandono inte­lec­tual, conforme previsto no artigo 246 do Código Penal, os garotos Davi e Jônatas prestaram no ano passado o vestibular de Direito para uma faculdade particular, a Fadipa, em Ipatinga. Foram aprovados, respectivamente, na 7ª e 13ª colocações. O resultado do exame serve agora como peça de defesa no processo criminal que transita no 1º Tribunal de Justiça Especial de Minas Gerais.

Cléber e Bernardeth orgulham-se do desempenho dos filhos. O pai, designer gráfico, segue com os filhos os princípios do trivium (retórica, dialética e gramática) e quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música), que datam do século 13, além do estudo de duas línguas estrangeiras - inglês e hebraico.

Contra o ensino regular, os Nunes esbanjam argumentos. No recurso que movem na Justiça, contra a condenação em primeira instância no processo cível, lembram a “deficiência crônica” da escola brasileira e, na intenção de comprovar sua tese, recorrem ao exame promovido em 2000 pelo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), quando o Brasil amargou o último lugar no ranking de 32 países.

A defesa dos Nunes também critica os Parâmetros Curriculares Nacionais, em particular o volume 10 (Pluralidade Cultural e Orientação Sexual), dedicado ao ensino fundamental (Ministério da Educação, Brasília, 1997), sublinhando que “(….) A bibliografia desse currículo contém livros que aprovam a masturbação, o sexo oral e anal, o incesto e o sexo antes do casamento”. E, por essas e outras, pleiteiam a autorização legal para a prática do chamado homeschooling.

“Há um anseio legal para a legitimação desse método educacional”, sustenta o recurso.

Consultado sobre a possibilidade de ter negado o direito ao ensino domiciliar, Cléber considera a hipótese de deixar o país. Seguiria, então, os passos do pastor evangélico Josué Jehoshua Bueno, hoje radicado no Paraguai, também praticante do ensino domiciliar.

Pai de nove filhos, Bueno e a esposa foram denunciados ao Ministério Público em maio de 2005 pela disciplina física imposta às crianças e por mantê-las completamente apartadas da escola formal, o que desencadeou uma ação civil pública. Ao final do processo, a Justiça ordenou a matrícula escolar e exigiu acompanhamento psicológico para toda a família, prevendo sérias sanções caso descumprissem a decisão.

“Ameaçados da perda da guarda de nossos filhos, não nos restou outra opção a não ser sair do país”, diz Bueno, que desde criança teve contatos com missionários americanos que trabalhavam na área do rio Amazonas. Na juventude, foi para os Estados Unidos, “reforçando os contatos feitos desde a infância”. “Quando o Estado se coloca como autoridade maior na educação dos filhos, ameaçando a própria integridade familiar, é sinal de que é o Estado que precisa ser reformado e destituído de poderes, e não a família”.

Já a a presidente da Câmara de Educação Básica, Clélia Brandão Alvarenga Craveiro, crê que o convívio escolar tem um papel importantíssimo na vida da criança e do adolescente. “Vivemos um momento de transição, de redefinição, inclusive, de valores, mas tirar a criança e o jovem da escola não é solução. A sociedade norte-americana, onde os direitos individuais são altamente privilegiados, sofre agressões violentíssimas nas escolas. Quem sabe até que ponto os jovens, por ficarem fora da escola no período da infância, não se tornam fundamentalistas e com enorme dificuldade de conviver com as diferenças?”, pergunta.

Sob Véu Comunitário
Ao final da petição em defesa dos Nunes, Márcia Vilhena e seu filho mais velho figuram como testemunhas, seis anos depois de terem eles próprios protagonizado a ação no STJ. A atitude dos Vilhena Coelho parece ser marca registrada dos adeptos do ensino domiciliar. Também eles, em 2001, receberam manifestações de apoio. “Por favor, telefonem e escrevam para a embaixada brasileira com esta mensagem”, apelava a HSLDA (Associação de Defesa Legal do Ensino Domiciliar, na tradução em português), introduzindo um documento que informava que “Famílias inocentes praticantes do ensino domiciliar, como a de Carlos Vilhena, estão sendo perseguidas no Brasil” (http://www.hslda.org/hs/international/Brazil/200208300.asp). O manifesto a favor do ensino domiciliar foi também dirigido, nominalmente, a cada um dos ministros do STJ.

Natural que aqueles que partilham a mesma visão queiram amparar-se mutuamente em defesa do propósito comum. No blog Escola em Casa (www.escolaemcasa.blogspot.com.br), Júlio Severo cumpre esse papel a favor do ensino domiciliar. Traz de tudo um pouco: recomenda livros didáticos, escreve artigos difundindo a prática do homeschooling e ainda se dedica à tradução e adaptação de artigos afins, extraídos de periódicos americanos. Um deles, de 2006, exortava os pais da Califórnia a “rejeitar o ambiente pró-homossexualismo das escolas públicas” para educá-los em casa, repercutindo o depoimento de Charles Lowers, diretor-executivo da organização pró-família Considering Homeschool. Para os pais interessados na prática do ensino em casa, faz um alerta via internet:

“Quando oculta de forma adequada, não há perigos, mas muitas vezes um parente, um vizinho ou um indivíduo desconhecido intervêm para delatar ao Conselho Tutelar, que tem lidado com todos os casos de educação em casa no Brasil”.

Constituição Federal (1988), Título VIII, Capítulo III, seção I
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Constituição Federal (1988), Título VIII, Capítulo VII
Da família, da criança, do adolescente e do idoso
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

A encantadora de crianças

Junho 15, 2008 by jojomaravilha

O gravador está ligado há cinco minutos e ela já conta a primeira das histórias que vão permear a entrevista.

“É uma história de uns fazendeiros que brigam. E aí um diz para o advogado:

- Vou mandar uns perus para o juiz.
E o advogado:
- De jeito nenhum! É aí que ele faz você perder a causa!
Aí passou o tempo, e esse fazendeiro ganhou a causa. Aí ele falou com o advogado:
- Não foi bom mandar os perus?
- Mas mandou os perus? Não disse para você não mandar?
- Ah, mas mandei no nome do outro!”

Para cada opinião, contexto ou brincadeira, a escritora Ruth Rocha lembra um causo, real ou fictício. Dos tempos de menina, vividos no bairro paulistano da Vila Mariana, e dos que criou adulta, impressos ou inéditos “que ainda estão voando por aí”, como ela mesma diz.

Ficção virou atividade muito natural a essa senhora de 77 anos, fala mansa e traços fortes. A escrita direta e oralizada em 140 livros (muitos traduzidos para mais de 25 idiomas) faz crer que Ruth encontrou seu caminho até a mente infantil. Só Marcelo, Marmelo, Martelo (1976) vendeu mais de 1 milhão de exemplares. A história do menino que inventava nome para as coisas foi inspirada na filha Mariana (hoje, com 46 anos), que, criança, perguntava coisas do tipo “por que a barriga da perna não tem umbigo?”

Formada em Sociologia e Política, Ruth conquistou parte de seu repertório nos 15 anos em que atuou como orientadora educacional, no colégio Rio Branco, em São Paulo. Depois de escrever artigos sobre educação, passou a colaborar com histórias para a então recente revista Recreio, em 1969. Foi aí que a escritora começou a destruir a máxima que ouvia desde pequena, a de que “criança era para ser vista, não para ser ouvida”.

Recém-eleita para a Academia Paulista de Letras e em via de lançar mais um título, Solta o Sabiá (Companhia das Letrinhas), diz esperar por uma nova literatura infantil. Uma que dê um passo além do de sua “geração de 70″. Ainda não teria surgido algo diverso da proposta de ser contra os “bons costumes”, com visão do homem e de sua relação com o mundo menos careta e mais humanista, num estilo coloquial, sem rodeios ou moralismos disfarçados em lição de moral. O principal, diz Ruth Rocha, é conhecer a criança. O que nem sempre se vê nos livros infantis. Ser atual não é ser novo. “E sempre espero o novo.”

Língua Portuguesa - Como em Marcelo, Marmelo, Martelo, a senhora criava palavras quando criança?
Ruth Rocha -
Na minha família, a gente brincava muito com palavras. Meu pai dava corda. Sempre contava as histórias do [poeta] Emílio de Menezes, um trocadilhista. Uma atriz sentava na frente dele no teatro, aí o Emilio levantava e apontava as cadeiras vazias: “Atrás há três, atriz atroz!” Mas era meu avô [Francisco Sabino Coelho de Sampaio] o contador de histórias da família. Analisando hoje, sei que ele contava Andersen, Perrault, Grimm, As Mil e Uma Noites, histórias folclóricas. Essa fabulação toda ficou em mim. Ele era primo de 2º ou 3º grau do Castro Alves, e declamava a obra inteira dele. Meu pai, minha mãe e avó gostavam de cantar versos. Era uma família muito faladeira. Todo mundo diz que meu estilo é oral. Deve ser por ter ouvido muita história.

Sua narrativa é econômica, simples e direta. Como é o seu método de produção e lapidação narrativa?
Minhas histórias ficam na cabeça um bom tempo. Tenho o começo, o personagem engraçado, mas isso ainda não rende história. Penso mais uma parte, um nome engraçado talvez, até que ela se forma. Até aí fico só pensando na história, sem método. Tenho mil histórias voando por aí que quero escrever. Mas estão incompletas. Falta um gancho, um elemento para fechar melhor. Quando percebo que está inteira, escrevo de uma vez só. Em geral, tenho a história quando tenho o fim. Há escritores que entram num livro sem saber o que vai acontecer. Nunca entro sem saber. Posso mudar no meio, mas aí já tenho um outro fim.

Ao escrever evita alguma palavra ou tempo verbal?
Não. Às vezes, implico com algumas palavras. Mas não por princípio. Não gosto de pronome proclítico, mas tem hora que não dá para evitar. Aí eu uso. Quando a personagem é criança, não coloco.

E as palavras estrangeiras?
Costumo colocar tudo em português. “Milquecheique”, cachorro “pudol”. Eu gosto. Implico com palavra estrangeira. Tudo quanto é edifício tem nome de fora… É muito bobo. Mas sei que é assim que a língua se renova. O off da liquidação das lojas, ou vai ficar pra sempre ou vai sumir ali na esquina.

Preocupa-se em evitar palavras difíceis nos livros?
Depende. Muito difíceis, eu evito. Mas acredito que as crianças tenham mais dificuldade com idéias abstratas do que com palavras concretas. Quando você não conhece a palavra, pela frase consegue matar [o significado]. Aliás, foi assim que apreendemos as palavras: lendo e não entendendo. Aí a gente deduz ou vai ao dicionário. Digo que não se deve evitar muito as palavras difíceis, mas se deve evitar as palavras muito difíceis. Palavras técnicas, por exemplo, não há motivo para estarem em obras infantis.

Já pensou em atualizar as suas histórias?
Uma editora já me pediu isso. Mas, sabe o que acontece? Ninguém atualiza Monteiro Lobato, ou livros escritos há cem anos. Todo mundo entende. Agora, tenho projeto de um livro para jovens que discuta ética, outro que fale sobre namoro. Aí não tem jeito, terei de incluir algo do internetês. Como vou lidar com essas palavras? Não sei. Nunca escrevi um livro que incluísse alguma.

Como reage quando os críticos dizem que literatura infantil é “mais fácil”?
Olha, já me chateei muito com isso. Já fiquei achando que é absurdo, uma injustiça… Depois concluí que o mundo é assim. Tem gente que valoriza e gente que não. Acho literatura infantil importante e está cheio de grande escritor que escreveu para criança e quebrou a cara. Escrever para criança ou é fácil ou é impossível. Ou você tem ligação com criança, cumplicidade, ou não tem. E se tem, contar uma história não é difícil, não sai forçada. Literatura infantil é um gênero, como teatro, poesia. Para mim não é difícil, é normal, é trabalho. Acho que sei o caminho. Ao passo que escrever para adulto, eu não sei. Já quis, não deu. O engraçado é que minha leitura é 90% adulta. Só às vezes leio literatura infantil. Mas, em grande parte, acho tudo muito ruim.

Qual o problema mais grave que vê nos infantis?
As pessoas escrevem como quem escreve para o colegial. Não tem traço literário naquilo. E a maior parte não sabe o que

é criança. Tem gente sem noção, que faz historinhas sobre os filhos, os netos, o cachorro… Saem falsas. Outra coisa boba são histórias de objetos humanizados, tipo “a história da xícara que se apaixonou pelo pires…”. Bicho a gente humaniza com facilidade. Estão aí as fábulas. Você faz história de bicho, as pessoas sabem que é sobre gente. Mas o pior é que as pessoas não têm uma história para contar. Param no meio, e quando fecham, é uma bobagem.

Como você avalia o livro infantil produzido hoje, por autores novos?
Leio pouco. Mas os que li têm problemas éticos, estéticos, de desconhecimento da criança. Histórias indicadas para criança muito pequena mas que parecem escritas para criança grande. Com referência a problemas que não são de criança. Por exemplo, história de amor entre crianças. Bobagem. Os adultos é que inventam isso. A criança até a puberdade não pensa nisso. A Luluzinha é perfeita, odeia meninos, tem o clube do Bolinha. Há também muita história com bom-mocismo e moral no final. Ou melhor, as histórias sempre são morais, mas nunca devem ser moralistas. Com o moralismo, as histórias sempre terminam com um “então, você não deve desobedecer à mamãe, nem ao papai, pois Deus castiga”.

A criança interage com livros como antigamente?
A realidade é outra. Mas meu livro que mais vende teve a história editada em 1969, virou livro em 76 e continua vendendo, o Marcelo. A criança não mudou muito. A diferença é que hoje ela é incluída na vida do adulto, muito mais do que antes. Mas tem desenvolvimento ainda igual ao de todas. Começa a falar, andar, engatinha na mesma época. Quem mudou foi o adolescente. Foi exposto a muita coisa, mais do que a criança. A partir de certa idade, fica um diferente do outro. É uma fase difícil de entender. Antigamente, as regras da vida eram mais restritas. O menino ia à escola, ao curso ou à faculdade que o pai queria. Então, as pessoas ficavam mais iguais. Com a modificação da sociedade - abertura política, sexual e maior compreensão do adulto sobre o jovem -, é mais difícil escrever para o adolescente. Eles, sim, são um desafio novo.

A senhora já fez minidicionário e paradidáticos. Qual estimula mais a produção de texto, ficção ou paradidático?
O paradidático pode estimular porque é usado em classe, e o professor indica exercícios com base na obra… Mas o livro de ficção, que se escolhe por espontânea vontade, este transforma. O paradidático só informa. A gente tenta fazer com que transforme, mas o outro livro é que forma um escritor ou leitor mais feliz.

O mercado é tomado por obras com muita interação, dobradura, livro de pano e outras modas. Qual sua opinião sobre o fenômeno?
Depende, se o livro for bom, funciona; se for ruim, não. Tem um muito interessante, Dentro do Espelho, da desenhista Luise Weiss. Também admiro a Anna Flora Camargo Coelho, que escreveu  A República dos Argonautas, para adolescentes.

Com o acordo ortográfico, os livros serão reeditados. O que acha do acordo?
Tenho várias opiniões. Universalizar a língua é interessante. Nos países de língua inglesa, todo mundo escreve igual. Nos de língua portuguesa, ao contrário, vai cada um para um lado, fazem-se reformas e mais reformas, e vai-se diversificando o idioma. Por outro lado, tive uma briga com o [escritor português José] Saramago por causa de língua. Estava numa festa, ele, eu e o [escritor] Silvio Fiorani conversando e concordando que essa historia de mudar toda hora a língua é ruim porque a língua é parte da cultura da gente. Escrever com ph ou com f, é da cultura da gente. E o Saramago ficou furioso - ele já é bravo. Disse que achava um absurdo, que o português deveria fazer um esforço para ser universalizado. Não é que ele esteja sem razão. Fico com essas duas opiniões.

A grafia a preocupa?
Há palavras no meu vocabulário que não sei escrever porque mudaram tantas vezes na minha infância que eu não sei mais. “Açúcar” foi escrita até com z. Já tinha sido com ss, com ç. “Sapato” era escrito com z. Ele nunca me marcou porque sempre achei o som diferente, mas “açúcar”, acho que não sei escrever até hoje! Tenho sempre de dar uma consultada no dicionário. “Jeito”, até aprender que era com j… Levei anos sem saber! E quando escrevi uma poesia chamada Com G ou com J, fiquei cheia de dúvidas.

A senhora sempre criticou os “bons costumes” em infantis. Considera um equívoco a onda politicamente correta em músicas e livros atuais?
É detestável, uma bobagem. Há um perigo muito grande na ditadura das editoras. Elas têm opiniões a respeito de livros, e que nem sempre são as melhores. O Ministério da Educação publicou a Lei de Diretrizes e Bases [sobre currículos escolares, em 1996], que recomenda - entre outras coisas - a leitura direcionada para temas mais específicos, como educação ambiental, sexual. Eles são chamados de livros com temas transversais. Mas acho que a idéia foi mal compreendida. Algumas editoras começaram a encomendar livros com esse viés, quando, na verdade, a intenção do MEC era que as pessoas comprassem bons livros. Aí ficou uma coisa forçada, com a publicação de histórias sem-pé-nem-cabeça. A editora não tem de dar rumo, pautar a literatura. A literatura tem como maior objetivo ser nova, fresca, nunca pré-pautada.

Ilustração de Adalberto Cornovaca para Marcelo, Marmelo, Martelo: clássico contemporâneo

A senhora já disse que a geração de autores infantis que ainda fazia sucesso era a “geração da ditadura”, a sua. Algo novo apareceu?
Não acho que a nova geração esteja levando a proposta de livro infantil adiante. Nós, dos anos 70, ainda temos uma proposta nossa que continua nos outros [nos de hoje]. Ainda não vi uma proposta nova. Não há uma geração de escritores cultivando um tipo de literatura nova, como nós [de 1970] fomos em relação ao Monteiro Lobato. Tivemos influência dele, mas a nossa proposta é bem diferente. Toda essa geração - Ana Maria Machado, João Marinho, Marina Colasanti, Lygia Bojunga, Edy Lima, Bartolomeu Campos Queirós, entre outros -, toda essa gente foi uma geração que renovou bastante.

Na ditadura, percebiam seu “truque” de criar livros sobre reis (como O Reizinho Mandão) para falar dos poderosos do momento?
Fui a uma escola no fim dos anos 70 e um menino, de uns 9 anos, falou: “Esse rei aí é o presidente da República?”. E eu: “Pode ser um presidente da República, um pai ou um professor autoritário…”. E ele: “É, mas esse aí é o presidente da República”. E eu: “É, esse é o presidente”. Ele retrucou: “E você não tem medo da polícia?”. Nunca tive história ou livros vetados. Mas me lembro que o João Marinho foi detido com uma professora que o havia convidado para palestrar na sua escola, em São Paulo, quando ele estava escrevendo O Caneco de Prata, em que contava uma história sobre esquadrão da morte. A professora foi afastada do cargo estadual e ele, detido por um dia.

Com o fim do AI-5, houve um boom literário infantil. Foi a resposta da sua geração, para alertar as crianças do período que o país passara?
Olha, não foi assim, não. Foi tudo individual, cada um por si. Fui cunhada da Ana Maria Machado e nos tornamos amigas. Escrevemos para a mesma revista Recreio, escrevemos livros mais ou menos ao mesmo tempo. Tínhamos as mesmas influências, mas uma não recebia influência da outra. Nossas influências eram de Lobato, da abertura política, de várias coisas juntas. Até porque, nessa época, ela estava na Europa. E tem gente que confunde nossas histórias.

Mas acha que essa geração conscientizou as crianças do que foi a ditadura?
Não sei. Uma vez, eu e Ana Maria estávamos numa Bienal e chegaram jovens de 18 e 19 anos. Nós começamos a perguntar se eles tinham influência política nossa. E um deles disse assim: “Ah, e por que acha que a gente pintou a cara no impeachment do Collor?”. Nunca tinha conversado com um jovem que tivesse dito isso antes. Achava que estava contando para eles como as coisas eram, mas não sabia no que tinha dado mais tarde. Tenho contato com criança menor, mas depois que crescem não se sabe a influência que deixou.

Como o não-especialista - pais, por exemplo - po-de identificar um bom livro infantil?
Escolheria os clássicos. É o melhor critério.

Extraído: Revista Língua

Os Educadores da Travessia do Milênio

Maio 28, 2008 by jojomaravilha
REVISTA EDUCAÇÃO - EDIÇÃO 133
Escola reflexiva, realidade complexa, pedagogia da escuta, jogo e cultura infantil, produção de leitores: essas são algumas das idéias que nasceram no século 20 e hoje pautam as práticas dos docentes deste novo milênio. Conheça a seguir alguns de seus principais enunciadores

Sério Rizzo

Livros, dissertações e teses acadêmicas, publicações, web sites e blogs fazem com que a circulação de informações sobre educação atinja, hoje, um grau inédito. Não há mais desculpa, ao menos em relação a esse aspecto, para se manter distante de um assunto ou debate. Seja qual for o interesse, haverá modos de saciá-lo. A fartura de material à disposição embute, no entanto, um desafio: como navegar por esse oceano de referências sem ter, ao final, a sensação de que apenas se trombou com opiniões, conceitos e experiências, em jornada às vezes longa e trabalhosa que não produziu conhecimento?

A relação de pensadores apresentada neste dossiê de Educação pode ajudar o leitor a se orientar na compreensão mais aguda de temas-chave do cenário educacional no início do século 21. Altamente especializados em seus campos de atuação e pesquisa, eles se tornaram referência no Brasil durante as últimas duas décadas. Hoje, constituem uma espécie de novo marco: suas idéias - difundidas, em geral, não só em livros e artigos, mas também por meio de conferências, encontros e trabalhos de consultoria - contribuem para o desenvolvimento de práticas reconhecidas, em diversos países, como de vital importância para o alcance de novos parâmetros de ensino e aprendizagem, sintonizados com a mudança dos tempos.

Ao longo do século 20, a compreensão social da educação e o estudo dos processos de ensino e aprendizagem avançaram graças sobretudo às contribuições do psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), professor da Universidade de Genebra e autor de mais de cem livros, entre eles A construção do real na criança (Ática, 392 págs., R$ 34,90), A representação do mundo na criança (Idéias & Letras, 320 págs., R$ 45) e O juízo moral na criança (Summus, 304 págs., R$ 54,30), e do psicólogo russo Lev Vygotsky (1896-1934), cujas idéias - condensadas em A construção do pensamento e da linguagem (Martins Fontes, 496 págs., R$ 68,40) e A formação social da mente (Martins Fontes, 191 págs., R$ 39,80) - se tornaram conhecidas internacionalmente apenas depois de sua morte precoce.

As pesquisas de Piaget com crianças ajudaram a entender como se processa o desenvolvimento cognitivo, do nascimento até a morte, e elucidaram como se produz o conhecimento de acordo com mecanismos de assimilação mental do mundo e de posterior acomodação desses novos dados. Sua “teoria cognitiva” desvendou características fundamentais da psicologia infantil e está relacionada às pesquisas sobre as conexões entre pensamento e linguagem feitas por Vygotsky. Ambos possibilitaram que os estudos sobre educação atingissem outro patamar, menos mecanicista e mais sintonizado com os processos mentais da criança.

É a partir desses referenciais básicos que os autores reunidos neste dossiê ergueram suas pesquisas, a maior parte delas nas duas últimas décadas do século 20. Alguns deles representam correntes já bem estabelecidas, como as psicólogas argentinas Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, associadas a uma abordagem construtivista da alfabetização que se disseminou no Brasil. Da mesma forma, a experiência do pedagogo italiano Loris Malaguzzi nas escolas da região de Reggio Emilia se impôs, há algum tempo, como forte inspiração para a educação infantil do país, com a sua “pedagogia da escuta”. Os conceitos de “escola reflexiva” e “comunidade de aprendizagem” trabalhados pela portuguesa Isabel Alarcão também já circulam com desenvoltura entre nós.

Didática e organização escolar são as áreas de pesquisa do espanhol Miguel A. Zabalza. O também espanhol Antoni Zabala, por sua vez, propõe que a escola promova hoje o que chama de “pensamento complexo”, com um “enfoque globalizador”. Da França vêm as contribuições de Anne-Marie Chartier para a formação de leitores, de Gilles Brougère para o estudo do jogo e da cultura infantil, e de Bernard Charlot para a compreensão das relações com o saber. As condições do trabalho docente aparecem nas reflexões do português Antonio Nóvoa.

Um dos livros de Nóvoa se dedica a um educador cujo trabalho está presente, em maior ou menor grau, na obra de diversos outros pensadores reunidos neste dossiê: o brasileiro Paulo Freire (1921-1997). Nenhum autor se aproxima da presença de suas idéias na escola brasileira. Mesmo o educador que eventualmente jamais tenha entrado em contato direto com seus livros - o que seria improvável, pois figuram nas bibliografias obrigatórias dos cursos de pedagogia e de licenciatura - convive com práticas (e talvez as aplique) desenvolvidas com base em conceitos propostos por Freire.

Suas pesquisas começaram a tomar forma na década de 50 - ainda em Pernambuco, onde se formou em Direito e trabalhou como professor de língua portuguesa e diretor do Serviço Social da Indústria (Sesi) - e se aprofundaram nos anos 60, com as primeiras experiências de alfabetização em comunidades distantes dos grandes centros. A aprendizagem da leitura e da escrita integra, segundo ele, um processo de conscientização que deve ser fundado no próprio cotidiano
do aluno e precisa capacitá-lo para lutar contra a opressão sociopolítica. É a “pedagogia da autonomia”. Sem essa finalidade, o processo educacional serviria apenas para a manutenção de desigualdades e atenderia aos interesses das classes beneficiadas pelo status quo.

Freire propôs nova abordagem para as relações entre educadores e alunos, em que ambos se tornam agentes da produção de conhecimento a partir de um processo dinâmico de leituras do mundo. Exilado durante o regime militar, ele deu aulas na Universidade Harvard - sua obra tem intensa visibilidade nos EUA até hoje - e prestou consultoria a governos de diversos países do Terceiro Mundo. Na volta ao Brasil, em 1980, radicou-se em São Paulo, onde foi professor da Pontifícia Universidade Católica e da Universidade Estadual de Campinas, além de secretário municipal de Educação. Em sua gestão, foi concebido o projeto que anos mais tarde resultaria nos Centros Educacionais Unificados, os CEUs.

A apresentação dos pensadores selecionados traz indicações dos livros de cada um publicados no Brasil e ainda disponíveis em livrarias. Em relação a Freire, no entanto, seria preciso ocupar todo o espaço para dar conta do que o próprio educador escreveu e do que foi escrito sobre ele. Educação como prática da liberdade (Paz e Terra, 158 págs., R$ 30), Pedagogia do oprimido (Paz e Terra, 213 págs., R$ 35), Pedagogia da autonomia (Paz e Terra, 152 págs., R$ 10) e Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido (Paz e Terra, 245 págs., R$ 40,50) podem funcionar como porta de entrada para sua extensa obra.

Além disso, o Instituto Paulo Freire (www.paulofreire.org), a Biblioteca Digital Paulo Freire (www.paulofreire.ufpb.br) - mantida pela Universidade Federal da Paraíba -, o Centro Paulo Freire (www.paulofreire.org.br ), a Cátedra Paulo Freire da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (www.pucsp.br/paulofreire) e o Centro de Investigação Paulo Freire da Universidade de Évora (www.cied.uevora.pt), em Portugal, entre outras instituições, se encarregam de promover reflexões sobre o seu pensamento.

Emilia Ferreiro
A criança como agente da produção de conhecimento

Discípula do psicólogo suíço Jean Piaget, seu orientador no doutorado que cursou na Universidade de Genebra (Suíça) e um dos mais influentes pensadores da educação no século 20, a psicóloga argentina Emilia Ferreiro abandonou seu país com o golpe militar de 1977. Depois de se estabelecer por mais um breve período na Suíça, decidiu instalar-se no México, onde vive até hoje, ligada ao Departamento de Investigações Educativas do Centro de Investigações e Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional.

Ainda no final dos anos 70, começou a publicar, com o auxílio de diversos pesquisadores, extensa obra fundada na psicogênese do sistema de escrita (a construção da linguagem escrita na criança), de intensa repercussão na América Latina. Sua abordagem, construtivista, se inspirou nas idéias de Piaget e do psicólogo russo Lev Vygotsky sobre aprendizagem infantil. No lugar das cartilhas mecanicistas que enfatizavam as técnicas de ensino, Ferreiro propôs que o foco se voltasse para o aluno, encarado como o agente da sua construção de conhecimento. Dessa forma, ele deixou de ser considerado mero receptáculo de informações para que fossem levadas em consideração, como elementos fundamentais do processo de alfabetização, suas características socioculturais e a interação com os colegas.

O desenvolvimento da leitura e da escrita, segundo o raciocínio de Ferreiro, começa muito antes da escolarização, o que precisa ser lembrado e trabalhado no processo formal de alfabetização. Um dos maiores desafios para a aplicação de suas idéias, no entanto, são as diferenças entre alunos da mesma turma, que se traduzem, segundo as pesquisas da autora, de acordo com o domínio dos níveis estruturais da linguagem (pré-silábico, silábico e silábico alfabético). As atividades interativas organizadas pelo professor, com base em práticas sociais, devem contemplar a reflexão sobre a escrita. Entre as principais estratégias do processo, a adoção da perspectiva de um sujeito analfabeto contribui para que o educador com­preenda o significado, para a criança, da língua escrita.

Ana Teberosky

A psicogênese do sistema de escrita
Integrante do grupo de pesquisa formado por Emilia Ferreiro quando retornou à Argentina depois de seu doutorado com Piaget na Suíça, em 1971, a psicóloga argentina Ana Teberosky fez o doutorado na Universidade de Barcelona (Espanha), onde trabalha hoje como professora do Departamento de Psicologia Evolutiva e da Educação. Sua trajetória, muito próxima à de Ferreiro, está igualmente ligada ao desenvolvimento de teorias sobre a psicogênese do sistema de escrita.

Teberosky é outra forte referência, portanto, desde a década de 80, quando a abordagem construtivista começou a circular com intensidade nos sistemas educacionais latino-americanos. Nesse universo, língua e leitura são examinadas como integrantes de um processo que se constrói por meio da interação entre educandos. Boa parte de seu trabalho consiste em apontar, com base em pesquisas na área de psicolingüís­tica, práticas pedagógicas cotidianas que possam explorar as diversas características sociais da escrita e que possibilitem aos alunos compreender por que aprendemos a produzir textos.

A produção sistemática de textos na escola, segundo Teberosky, não deve apenas ser gráfica, sobretudo no início do processo de alfabetização. Ela sugere, por exemplo, que textos orais, em forma de relatos, podem ser construídos pela criança e transformados em escrita por adultos, desde que o professor seja capaz de trabalhar com ela a partir de estruturas narrativas, provocando situações dramáticas em que seria necessário imitar personagens e, com isso, trabalhar pela ampliação do vocabulário e a complexidade das sintaxes.

Além de sua extensa obra e das conferências que ministra em diversos países, outro veículo para a influência de Teberosky sobre a formação de educadores é o doutorado em Psicologia da Educação mantido pela Universidade de Barcelona e por outras cinco instituições de ensino da Catalunha. O objetivo do programa é formar tanto pesquisadores quanto profissionais capazes de aplicar ações psicoeducativas em situações individuais e de grupo e em instituições.

Miguel A. Zabalza
“Novo ensino”, seus métodos e conteúdos

O pedagogo e psicólogo espanhol Miguel Ángel Zabalza Beraza formou-se nos anos 70 pela Universidade Complutense de Madri, onde trabalhou como professor. Desde o início dos anos 80, permanece ligado à Faculdade de Ciências da Educação da Universidade de Santiago de Compostela, na qual exerceu diversas funções administrativas. Especialista em didática e organização escolar, é presidente da Associação Iberoamericana de Didática Universitária.

O Ministério da Educação do Chile contratou Zabalza como consultor para a reforma curricular dos cursos de formação de professores, fruto de suas pesquisas sobre o que chama de “boas práticas docentes”. Elas incluem, por exemplo, o uso sistemático de diários, tanto no processo de formação profissional quanto no de pesquisa qualificada das práticas cotidianas. “A progressiva heterogeneidade dos estudantes obriga a repensar a questão dos métodos docentes e também dos conteúdos”, afirma em entrevista ao sítio de internet da Universidade de Santiago de Compostela.

Na avaliação de Zabalza, os professores universitários se converteram em “gestores dos processos de aprendizagem” de seus alunos. Para isso, além das competências tradicionais, precisarão dominar “o uso de recursos técnicos, a aplicação de novas metodologias didáticas que facilitem aprendizagem mais profunda e integradora”, e ainda “saber organizar os processos de forma que os estudantes adquiram competências”.

Seu diagnóstico do ensino universitário espanhol encontra pontos coincidentes com o cenário brasileiro. “Um dos problemas dos professores é que estamos envolvidos em muitas coisas. Estamos divididos entre a docência, a pesquisa, a gestão, atividades de extensão cultural e de assessoria ou atuação profissional direta. E, junto com essa proliferação de âmbitos, a atividade docente exige cada vez mais atenção e tempo. O ‘novo ensino’ consome muito mais tempo do que a aula tradicional. Ocupa mais espaço na agenda dos professores. Não sei se conseguiremos manter tantas existências.”

Isabel Alarcão
Escola reflexiva, a “comunidade de aprendizagem”
Formada em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a portuguesa Maria Isabel Lobo de Alarcão e Silva Tavares trabalhou durante sete anos como professora de ensino médio e orientadora de estágios antes

de cursar o mestrado em Currículo e Ensino na Universidade do Texas (EUA). De volta a Portugal, dedicou-se a cursos de formação de professores de línguas na Universidade de Aveiro, da qual foi reitora no período 2001-2002. Ali, trabalha desde 1993 no Centro de Investigação Didática e Tecnologia Educativa na Formação de Formadores.

Alarcão fez também o doutorado em Educação na Universidade de Liverpool,  aprofundando pesquisas sobre didática, principalmente no campo da formação docente, e supervisão. Com base nas idéias do filósofo norte-americano Donald Schön (1930-1997) sobre teoria e prática da aprendizagem, que levaram ao conceito de “professor reflexivo”, ela formulou a proposta da “escola reflexiva”, que caracteriza uma instituição em processo de constante aprendizagem.

Nela, haveria discussão permanente a respeito do projeto pedagógico e da missão social a ser cumprida. Alunos, professores, gestores e comunidade de apoio à escola participariam todos de um ecossistema educativo que, além de “preparar para a vida”, já se constituiria em vida social. Teo­ria e prática se alimentariam mutuamente. “Uma escola reflexiva é uma comunidade de aprendizagem e um local onde se produz conhecimento sobre educação”, diz Alarcão. A qualificação de equipes pedagógicas capazes de desenvolver um projeto como esse e o conceito de inclusão constituem peças-chave de suas pesquisas. Todos os professores inseridos em uma comunidade de aprendizagem devem ampliar seus conhecimentos, com o auxílio dos supervisores pedagógicos, para adquirir visão ampla de todos os processos envolvidos no ambiente escolar.

Loris Malaguzzi
A arte e a “pedagogia da escuta”

Ao final da Segunda Guerra Mundial, a criação de escolas comunitárias de educação infantil na região de Reggio Emilia - cidade com pouco mais de 100 mil habitantes no norte da Itália, a 60 km de Bolonha - desencadeou o processo que levou o pedagogo italiano Loris Malaguzzi (1920-1994) a desenvolver o conceito da “pedagogia da escuta”. Ali, não há a divisão em disciplinas formais; projetos sustentam todas as atividades pedagógicas. Os próprios alunos os propõem e os executam com o uso de diversas linguagens, enfatizando o papel da arte na produção do conhecimento. Outros países da Europa, bem como das Américas, da África e da Oceania, adotaram como referência para a educação infantil as idéias de Malaguzzi.

De acordo com a tradição estabelecida em Reggio Emilia, a criatividade das crianças é estimulada por expressão artística multifacetada. As artes plásticas, o audiovisual, a música e as demais artes performáticas são empregadas para dar conta de um universo, o do conhecimento, que combina saberes de todas as áreas. O trabalho dos educadores, na forma de parceria com as crianças, deve ser orientado pela busca incessante da descoberta e da construção do conceito de civilidade, em comunidade de aprendizes pautada pela interdependência e pelo contínuo ajuste de procedimentos e metas.

Filho de ferroviário, Malaguzzi estudou Magistério, formou-se em Pedagogia na Universidade de Urbino e especializou-se em Psicologia pelo Centro Nacional de Pesquisa de Roma. Além da trajetória como educador, foi jornalista, roteirista e diretor teatral. Militante do Partido Comunista Italiano, assumiu em 1963 a direção das escolas municipais de Reggio Emilia (ele nasceu em Correggio, na mesma região). Manteve-se no cargo até a aposentadoria, em 1985, quando começou a percorrer diversos países, fazendo conferências e montando exposições. Em 1991, a revista semanal norte-americana Newsweek considerou a Escola Diana de Reggio Emilia como a mais “vanguardista” do mundo no campo da educação infantil.

Antonio Nóvoa
Formação continuada e desenvolvimento de competências

Formado em Ciências da Educação pela Universidade de Lisboa, mestre e doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra (Suíça), o português Antonio Nóvoa é autor de diversos livros sobre a condição do docente, como Vida de professores, Profissão professor, Os professores e sua formação, Dicionário de educadores portugueses e As organizações escolares em análise, todos ainda inéditos no Brasil. Escreveu também Paulo Freire - Política e pedagogia, que examina o trabalho e as idéias do educador brasileiro.

Hoje, Nóvoa é professor titular da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa e conferencista em diversos países. Seu trabalho é voltado para o estudo do conceito de “professor reflexivo” como paradigma dominante no campo da formação docente. A identificação das práticas de reflexão - que, lembra ele, sempre existiram na profissão - possibilita, em um segundo momento, algo mais importante: o desenvolvimento das condições em que elas podem se desenvolver.

A formação continuada, na análise de Nóvoa, deve ter como pólo de referência a escola, cujos professores decidiriam com autonomia os meios para realizá-la. Ele propõe que a capacidade de organização seja encarada como uma das competências necessárias ao professor na atualidade. O que chama de “organização do trabalho escolar” envolve o domínio de métodos de ensino e aprendizagem, bem como de administração da sala de aula e da própria instituição.

Outra competência estaria relacionada à “compreensão do conhecimento”, que levaria o professor a reelaborar conteúdos para aplicação didática. Para Nóvoa, o Brasil teria descuidado da “fase de transição” na formação de professores - período em que saem da universidade e começam a lecionar, freqüentemente em condições difíceis. A resistência criada por muitos nesses anos iniciais de profissão impediria seu pleno desenvolvimento.

Gilles Brougère

Jogo e cultura infantil
Especializado no universo dos brinquedos e da produção cultural infantil, o filósofo e antropólogo francês Gilles Brougère é professor de Ciências da Educação da Universidade Paris 13 e integra o Grupo de Pesquisa sobre Recursos Educativos e Culturais da instituição, além de responder pelo Departamento de Estudos Superiores Especializados em Ciência do Jogo. Suas pesquisas examinam as relações entre jogo e educação, a construção social do brinquedo no mundo contemporâneo, as dimensões culturais da educação infantil e a aprendizagem informal.

Os brinquedos baseados nas séries de televisão Mestres do Universo e Power Rangers foram alguns de seus primeiros objetos de pesquisa. Brougère concluiu que, diferentemente do que o senso comum então apregoava, as crianças têm o desejo autêntico de reproduzir o que vêem na TV, sem nenhuma espécie de imposição; o que as motiva é a satisfação de constatar a própria capacidade de reproduzir.

A distância entre a cultura infantil contemporânea e a escola se deve, na sua análise, ao desconhecimento e preconceito de educadores. Esse comportamento reforçaria, para a criança, a diferença entre a primeira, que fornece prazer imediato, e a segunda, que a desviaria desse desejo. Brougère lembra que mesmo os produtos de natureza comercial envolvem uma complexidade simbólica para a infância que não pode ser desprezada pelos adultos.

A melhor estratégia para projetos educacionais dispostos a lidar com esse cenário, sugere ele, é a de se basear no interesse da própria criança para o desenvolvimento de atividades que superem o mero consumo do entretenimento de massa, produzindo conhecimento que corresponda aos objetivos pedagógicos. A estrutura de jogos competitivos, por sua vez, seria importante para a criança por levá-la a trabalhar com um arquétipo de oposição - o que não impede, porém, que as situações vividas por grupos em disputa sejam cooperativas.

Anne-Marie Chartier
Formação de leitores e produção da escrita

Formada em Filosofia e doutora em Ciên­cias da Educação, a francesa Anne-Marie Chartier começou a trabalhar em 1974 no Instituto Nacional de Pesquisa Pedagógica, como professora do Departamento de Didática especializada em matemática para o ensino básico. Ela continua vinculada à instituição, agora na condição de pesquisadora voltada para as aprendizagens elementares (ler, escrever e contar), para a leitura e a produção da escrita nos ensinos fundamental e médio, e para a história da formação de professores. É também professora do Instituto Universitário de Formação de Professores da Academia de Versalhes.

A obra de Chartier se dedica à história da escolarização da escrita, aos métodos de ensino da leitura na França e em outros países da Europa Ocidental, e à história cultural das práticas de ensino. Suas idéias sobre a formação de leitores se multiplicam também por causa de suas conferências e encontros com professores e pesquisadores em diversos países, inclusive no Brasil. O papel do educador como mediador de leitura, crucial na educação infantil e no ensino fundamental, é um dos pontos-chave de seu trabalho. Ela não acredita, por exemplo, que apenas a cultura literária do professor seja suficiente para obter bons resultados.

Chartier considera importante a distinção entre leitura literária (que exige mais pré-requisitos do aluno) e leitura informativa, e procura articular teorias e práticas de leitura e escrita, em ambientes escolares e não-escolares, em conexão com práticas sociais e culturais. Embora suas pesquisas se debrucem sobre a realidade educacional francesa, incluindo o estudo de métodos de alfabetização utilizados no país desde o século 16 e a criação da disciplina “Francês” no final do século 19, elas são encaradas em outros países como referência valiosa para a reflexão e o desenvolvimento de estratégias locais.

Antoni Zabala

Realidade complexa, pensamento complexo
Formado em Filosofia e Ciências da Educação pela Universidade de Barcelona, na qual trabalhou como professor do Instituto de Ciências da Educação, o catalão Antoni Zabala foi um personagem fundamental na reforma do sistema educacional espanhol, planejada e executada no período de redemocratização do país, depois do final da ditadura franquista (1939-1975). A experiência o levou a prestar consultoria para governos e instituições da América Latina.

Especialista em planejamento e implantação de currículos, ele preside o Instituto de Recursos e Pesquisa para a Formação - empresa que reúne uma editora de livros e revistas especializada em educação, e uma unidade de “serviços integrais de formação”, presencial, semipresencial e a distância - e dirige a revista Aula de Inovación Educativa.

Fiel às idéias do educador francês Olivier Decroly (1871-1932), para quem “a necessidade gera o interesse”, Zabala acredita que a organização de conteúdos e a metodologia didática devem ser escolhidas para atender ao objetivo final de formar cidadãos em uma perspectiva democrática. Para que os alunos possam enfrentar a complexidade da realidade contemporânea, ele propõe que a escola promova o “pensamento complexo” sob “enfoque globalizador”.

As competências, segundo ele, são desenvolvidas com base em “constructo” que integra, de forma simultânea, os conhecimentos, os procedimentos e as atitudes. Apenas os conhecimentos não bastam: saber quais são os pontos cardeais não significa saber orientar-se. “A educação só tem sentido quando está a serviço de ideais”, disse ele em entrevista à Educação. “Quanto mais distantes estejam esses ideais da realidade, maiores devem ser os meios de que tem de lançar mão a escola. Há que se ter em conta que não há educação sem utopias. Utopias que nunca serão alcançadas, mas sem as quais é impossível identificar o caminho que o processo educativo deve percorrer.”

Bernard Charlot
Relações com o saber

Professor de Ciências da Educação da Universidade Paris 8, o filósofo francês Bernard Charlot é doutor em Educação e integra o Comitê Internacional do Fórum Mundial da Educação, do qual foi um dos fundadores. Suas pesquisas são voltadas para as relações com o saber e, em especial, dos alunos de classes populares com o saber escolar. Foi professor visitante no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Sergipe, em Aracaju, e consultor da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Brasil, além de presidente da Associação Francesa dos Professores e Pesquisadores em Educação.

O desafio da escola, segundo Charlot, é fazer com que o aprendizado permita ao adolescente construir sua identidade. É a atividade intelectual do próprio aluno, no entanto, que determinará a aprendizagem. A importância do professor se relaciona ao efeito que pode gerar nessa atividade, diretamente proporcional à sua capacidade de compreender que a lógica do aluno (para o qual seu papel é aguardar a transmissão de conhecimentos) costuma ser diferente da lógica da escola (que espera do aluno mobilização intelectual para a produção de conhecimento). Cabe ao professor, segundo ele, romper esse quadro de expectativas e “construir” o aluno na criança e no adolescente.

Charlot acredita que a escola deveria, inicialmente, trazer questionamentos e, só mais tarde, o conhecimento propriamente dito. Para que os saberes adquiram algum sentido, seria preciso incentivar a atividade intelectual, promover a auto-estima - sobretudo das classes populares, em geral baixa - e trabalhar para que crianças e jovens possam associar o saber ao prazer, em vez de dissociá-los.

Onde ficava a “casa-da-mãe-Joana”?

Maio 24, 2008 by jojomaravilha

É muito comum usar a expressão “casa-da-mãe-Joana” para se referir a um ambiente de bagunça. Mas por que se relaciona a tal Joana com a desordem? E afinal, onde ficava a “casa-da-mãe-Joana”?

De acordo com Reinaldo Pimenta, professor de língua portuguesa, a expressão popular surgiu no século XIV a partir das desventuras de uma Joana que, de rainha, passou a ser fugitiva.
Segundo descreve Pimenta, em seu livro Casa da mãe Joana, Joana I era a rainha de Nápoles e considerada a protetora cultural de poetas e intelectuais por causa de sua beleza e inteligência. Ela se casou com seu primo Andrew, irmão de Luís I, rei da Hungria.

Algum tempo depois, Andrew foi assassinado em uma conspiração que, de acordo com a obra, teve a participação da própria Joana. Enfurecido, o irmão da vítima resolveu invadir Nápoles em 1348 perseguindo Joana, que se viu obrigada a fugir para a localidade de Avignon, na França.

Uma vez instalada em um palácio que já havia sido a moradia de sete papas, Joana passou a mandar e desmandar na cidade. Tanto que resolveu regulamentar os bordéis de Avignon, determinando que cada estabelecimento deveria ter uma porta por onde qualquer pessoa poderia entrar. A partir disso, cada bordel ficou conhecido como “Paço da Mãe Joana”, considerada a dona da cidade.

Mais tarde, Joana vendeu a cidade com a condição de ser declarada inocente de participação na morte do ex-marido. Em 1382, Joana foi assassinada por seu sobrinho e herdeiro, Carlos de Anjou.

No Brasil, a palavra “paço” foi modificada para um formato mais popular, “casa”, gerando a expressão como é conhecida até hoje: “Casa-da-mãe-Joana”.

Extraído do site: Terra Educação

Nova Escola Abril/ 2008

Abril 29, 2008 by jojomaravilha

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Abril 25, 2008 by jojomaravilha

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PROJETOs da Educadora Deila Magda Ferreira

Abril 24, 2008 by jojomaravilha

Faixa Indicada: 1a a 4a série:

São dicas especiais para tirar maior proveito das aulas. Estão no formato ZIP e Precisam do aplicativo Word para visualização.

Projeto Aulas de Reforço:

Download do arquivo: 40 kb.

Projeto Profissão 2000:

Download do arquivo: 9 kb.

Projeto Oficina de Chocolate:

Download do arquivo: 21 kb.

email da Autora: deilamagda@uol.com.br

Projetos da Escola Municipal Olavo de Oliveira Ferreira - Delta - MG
Rua Geraldo Eustachio , 20 - Conj Hab. De Delta
CEP: 38.108-000 - Delta - MG
email: pmdelta2@terra.com.br

Importante: Todos os projetos desta escola foram desenvolvidos com a orientação das seguintes pessoas:
Alexandre Estevam Pereira: Instutor de Informática
Neide Pedrosa Borges: Inspetora Escolar

Ciências: Tabela Periódica

- O objetivo Ensinar os alunos trabalhar na tabela periódica. Desenvolvido para uma turma da 8a. série. Precisa do software MS Word ou WordView.
Autora: Profa. EloísaDownload 52 Kb.

Gastos do Dia

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Jornal do Meio Ambiente

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Jornal de Ontem

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O Folclore Brasileiro

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O Folclore Brasileiro

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O Folclore Brasileiro

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Pré-adolescência: Tempo de Namorar

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Projetos da Escola Municipal Ana de Castro Cançado - Delta - MG


Rua Geraldo Eustachio , 20 - Conj Hab. De Delta
CEP: 38.108-000 - Delta - MG
email: pmdelta2@terra.com.br

Importante: Todos os projetos desta escola foram desenvolvidos com a orientação das seguintes pessoas:
Alexandre Estevam Pereira: Instutor de Informática
Neide Pedrosa Borges: Inspetora Escolar

Ciências: Exercícios da Sexualidade

- O objetivo é familiarizar o aluno com vários aspectos da sexualidade humana. Precisa do software MS Excel.
Autora: Profa. PatríciaDownload 4 Kb.

Lingua Inglesa: Atividades de Inglês

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Lingua Portuguesa: Trabalhando a Redação

Download 60 Kb.

Lingua Portuguesa: Atividades de Português

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Geografia: Bandeira Nacional

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Geografia: Símbolos e Cidadania

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Geometria: Ângulos Consecutivos e Ângulos Adjacentes

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Símbolos Nacionais I

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Símbolos Nacionais II

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Semana da Ortografia

- Colaboração: Deila Magda Ferreira
O Objetivo é compreender que a grafia correta melhora a qualidade da expressão escrita, e estimula a leitura, oferecendo um apoio para os alunos realizarem um plano de autocorreção individual ou grupal, para que possam analisar seus erros ortográficos, empregando atividades lúdicas (cirandas, cantos, rimas). Precisa do software MS Word ou WordView.
email da Autora: deilamagda@telenete.com.br
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Alunos especiais:


Universidade Anhembi Morumbi e APAE através de seu Programa de iniciação de deficiência mental.
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Acerto de Contas

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A Regra do Jogo

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Boa Viagem

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Brincando e aprendendo:


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Cartões Comemorativos:

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Como Como?


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Compre na Baixa, Venda na Alta

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Dinossauros:

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Diferenças de Idade

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Doce Delícia

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Dois Pesos e Duas Medidas

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Ecoporanga:


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Festa na Escola


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Filo Asquelmintos

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Fórmulas Matemáticas:

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Geografia:


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Invenção do Brasil:


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Invenções:

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Jornal de Ontem

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Jovens do Mundo Todo

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Leila on-line:


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Literatura Barroca

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Lógica Animal

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Mapear o Crescimento Demográfico do País

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Meu Dicionário

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Meus Livros Favoritos

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O Lixo é um luxo!


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Olha Quem Está na WEB

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O Período Brasil República

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O Que Você Acha Disto?

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POESIA

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Poluição Antrópica

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Primeiro Carro

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Produtividade na Sala de Aula

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Projeto Web Surf


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Projeto O futuro e a profissão:


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Projeto Uma careta para as drogas. Justificatica e informação:


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Projeto Violência que rola:


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Projeto Criando Home Pages:


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Projeto Aniversário da Apolo 11:


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Projeto Canudos:


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Quem sou Eu?

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Sabor e Cor


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Sexualidade:

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Sistema de Organização dos Seres Vivos no Reino Animal

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Relato de um trabalho de alfabetização de jovens e adultos realizado na EEPSG “Prof. Dr. Camilo Marques Paula”, em Indaiatuba, SP, por Vera Lúcia Tachinardi Mizurini.
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Um Banco de Músicas

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Vampiros a Prova dos 9

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Viva o Brasil

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Vida de Inseto

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Campanha promocional dos estados brasileiros

Um banco de dados para classificar, ordenar e analisar sua coleção de discos

Uma prática instituinte na instituição escolar:

- Colaboração: Escola Municipal Hilda Rabello Matta
O que é uma pessoa sexualmente educada. Utilização do MS Word e MS PowerPoint.
Distribuição de cores das embalagens de jujuba
Nesta atividade, os alunos vão criar uma apresentação auto-biográfica em multimídia.
Um laboratório pedagógico interdisciplinar nas áreas de História e Informática, desenvolvido no quarto bimestre de 1997, no Colégio Werneck de Petrópolis pelo prof. Oazinguito Ferreira.
Este é um projeto de interdisciplinaridade que surgiu de um grupo de alunos interessados em conciliar a prática do cotidiano com a teoria vista nas aulas da escola.
Por meio da criação de sites para a Internet, desenvolver o gosto pela pesquisa.
Utilizando a Tevê Escola.
A palavra droga, como outras na língua portuguesa, não possui uma definição restrita…
Uma decisão muita séria!!!
Atividade de leitura com o livro “Fala comigo, pai!”, para a feira do livro da Escola São Paulo.
Utilização do Microsoft Excel 2000, Microsoft PowerPoint 2000, Microsoft Internet Explorer 4.5 ou posterior, Microsoft Encarta Encyclopedia 98/2000.
O custo real de um carro financiado
Pesquisa, análise e apresentação de um poema
Sua home page para publicar na Internet
Atividade prática sobre reciclagem.
Utilização do Microsoft Word 98/2000, Microsoft PowerPoint 98/2000, Microsoft Internet Explorer 4.5 ou posterior, Microsoft Excel 98/2000.
A lógica das classificações zoológicas
Escola Municipal Prof. Leila Mehl Menezes de Mattos, Rio de Janeiro, RJ, conecta seus alunos na Internet através do Kidlink.
A vida no Egito e México antigos
Estudos das invenções científicas. Utilização de MS PowerPoint.
A ARS Consult desenvolveu o projeto de Telemática (A Invenção do Brasil 1500-2000) sobre os descobrimentos portugueses e suas comemorações ao longo de cinco séculos de História.
Rede Municipal de Angra dos Reis, RJ, reúne seus professores para discutir e criar um novo currículo de geografia que atenda as necessidades de seus alunos e as expectativas de um ensino moderno.
Criação de fórmulas para a solução de problemas matemáticos. Utilização do MS Excel.
Uma campanha publicitária eficiente
Pesquisa Histórico-geográfico sobre o município de Ecoporanga (norte do Espírito Santo).
As sobremesas favoritas de pessoas importantes
Diferenças de opinião entre as gerações
Construção de banco de dados, pesquisa, compilação de informações, classificação e estudo de animais pré-históricos. Utilização do MS Access.
Gestão de uma carteira de investimentos
Comparação entre sua dieta diária e a recomendação da USDA
Exercita a criatividade, artes e linguagem através da criação de cartões. Utilização do MS Publisher.
Por meio de brincadeiras e dinâmicas é possível desenvolver habilidades, socializar, disciplinar e aprender.
Controle do seu orçamento mensal - O objetivo é através de atvidades, familiarizar o aluno com os símbolos nacionais, tais como o Hino e a Bandeira. Desenvolvido para uma turma da 3a. série. Precisa do software MS Excel e Ms Word ou WordView.
Autora: Profa. Paula Regina - O objetivo é trabalhar o aluno na familiarização com os símbolos nacionais, tais como o Hino e a Bandeira. Precisa do software MS Excel.
Autora: Profa. Ana Paula Capucci- O Objetivo é colorir os ângulos com cores diferentes, de forma que o aluno possa observar os ângulos consecutivos e os adjacentes e entende-los melhor. Desenvolvido para uma turma da 6a. série. Precisa do software MS Word.
Autora: Profa. Lusmarina - O Objetivo é trabalhar os símbolos nacionais e preparar o aluno para o exercício da cidadania. Desenvolvido para uma turma da 3a. série. Precisa do software MS Word e MS Excel.
Autora: Profa. Hanae - O objetivo é trabalhar o aluno na familiarização com os símbolos nacionais, tais como o Hino e a Bandeira. Desenvolvido para uma turma da 4a. série. Precisa do software MS Word e MS Excel.
Autora: Profa. Graziela - O objetivo é levar o aluno a conhecer melhor o emprego correto dos pronomes. Desenvolvido para uma turma da 5a. série. Precisa do software MS Word ou WordView.
Autora: Profa. Ana Paula Colmanetti - O objetivo é trabalhar a redação do aluno atraves da criação de quadrinhos com balões de diálogos. Desenvolvido para uma turma da 5a. série. Precisa do software MS Word ou WordView.
Autora: Profa. Maria Abadia - O Objetivo é desenvolver aulas com conversação e leitura. Desenvolvido para uma turma da 5a. a 8a. séries. Precisa do software MS Word ou WordView, Planilha Excel.
Autora: Profa. Patrícia Fortes - O objetivo é refletir sobre as relações de amizade e “namoro”, Dar oportunidade ao aluno de verbalizar as expectativas desta fase da vida, Refletir a respeito das transformações que ocorrerão nesta fase, Dar oportunidade à expressão de idéias e sentimentos pessoais a respeito do amor. Desenvolvido para uma turma da 4a. série. Precisa do software MS Excel.
Autora: Profa. Nelma - O objetivo é levar o aluno a tomar contato com algumas manifestações da cultura popular, Desenvolvimento o hábito de pesquisa, Incentivar o gosto pela leitura, Valorizar a Cultura Popular. Desenvolvido para uma turma da 3a. série. Precisa do software MS Word ou WordView.
Autora: Profa. Crislei - O objetivo é levar o aluno a tomar contato com algumas manifestações da cultura popular, valorizando-a e incentivando o gosto pela leitura, arte, música e dança. Desenvolvido para uma turma da 2a. série. Precisa do software MS Word ou WordView.
Autora: Profa. Ivoner - O objetivo é conceituar a palavra folclore, descobrir as principais manifestações folclóricas do nosso país, resgatar a sabedoria dos mais velhos através de pesquisas, valorizar a cultura popular e conhecer o significado e a ortografia das palavras. Desenvolvido para uma turma da 1a. série. Precisa do software MS Word ou WordView.
Autora: Profa. Rosicler - Nesta atividade, os alunos vão embarca em uma jornada histórica pelas antigas civilizações do Egito Antigo para fazer um jornal que reflita a visão cultural, política, econômica e religiosa do povo que viviam nessa sociedade naquele tempo. Desenvolvido para uma turma da 5a. série. Precisa do software MS Word ou WordView.
Autora: Profa. Regina - O objetivo é desenvolver os estilos da redação descritiva, narrativa e persuasiva e buscar informações, sobre os animais em extinção. Desenvolvido para uma turma da 7a. série. Precisa do software MS Word ou WordView.
Autora: Profa. Regina - O objetivo é levar o aluno a conhecer melhor a nossa moeda, através de operações algébricas com números Racionais relativos. Desenvolvido para uma turma da 6a. série. Precisa do software MS Excel.
Autor: Prof. Waldetti

Filosofia e História

Abril 24, 2008 by jojomaravilha
Por Marcia Tiburi
   
Todos querem saber sobre a história da Filosofia, tema de vasto interesse nestes dias em que, para o bem e para o mal, desenvolvendo a conversação e a democracia ou servindo de ilustração para quem confunde reflexão e crítica com adereço no mercado dos valores sociais, a Filosofia está na moda. Por outro lado, ela chega com força, do ensino fundamental e médio aos cursos universitários, como disciplina obrigatória. Sua potência é a da modificação das bases da educação pelo avanço da crítica e da compreensão em território sem especialização reflexiva. Filosofia e Educação devem conviver. Todavia, a possibilidade de uma calcificação da educação pela má Filosofia, que se pensa como “saber” constituído, “área” de pertença de eruditos inconscientes das relações sociais nas quais estão envolvidos, ou da filosofia pelo mau ensino, aquele que se perde na prática irrefletida, pode minar um projeto de formação para a democracia que é tanto a tarefa da Educação quanto da Filosofia nos dias de hoje.
   
Neste contexto, convém evitar confusões e é por isso que a distinção entre Filosofia e sua história merece uma atenção muito cuidadosa. A indistinção resulta do descuido - e convém perguntar se alguma sorte de interesse - por parte daqueles que, como professores de Filosofia, são os responsáveis por sua reintrodução no ensino brasileiro ou mesmo por sua divulgação. Ponderá-la é o primeiro passo filosófico na compreensão, e na promoção, de um novo estatuto, tanto para o que podemos chamar Filosofia, quanto para o que é hoje o seu ensino, baseado, muitas vezes, apenas na história pré-datada que, elevada pelos intelectuais envolvidos com ela (a Filosofia) a estatuto de verdade absoluta, extirpa-lhe a tarefa reflexiva e, portanto, seu núcleo essencial.
   
Que a Filosofia esteja dentro da história e a história do pensamento dentro da possibilidade da própria reflexão filosófica, é inegável. Essa é uma primeira concepção de Filosofia com a qual precisamos conviver. Que a Filosofia que conhecemos derive de textos tão bem conservados por sua força conceitual, que aquele que dela fale necessariamente a reconheça como uma tradição de pensamento que envolve justamente a capacidade da dúvida e da refutação da própria tradição, são fatos que não podemos desconhecer. A Filosofia é, nessa definição, a história do pensamento crítico ligada à vida de certos homens que a escreveram e à cultura à qual pertenceram. Só a Filosofia pode ser recepção crítica da tradição da própria Filosofia como viagem do pensamento humano no tempo. Nesse sentido, é claro que a história é essencial à concepção da Filosofia.
   
Recepção crítica, todavia, é atividade filosófica que pode ser eliminada se as instituições simplesmente o quiserem, fomentando apenas a pesquisa que, levando adiante a má historiografia, apenas repete e assina embaixo os grandes conceitos do passado. É isso que as pós-graduações exigem hoje de alunos em processo de pesquisa, tolhendo-lhes toda a criatividade e a possibilidade de inovação. Nivela-se por baixo pensando que se está a fazer o contrário. Além de tudo, toda relação interdisciplinar é totalmente controlada. Ninguém sustentará que é possível reinventar a roda em Filosofia, não se trata de postular tal absurdo. Mas a possível eliminação do pensamento crítico pelo pensamento como instituição é um risco que filósofos, se quiserem realmente enfrentar a potência de seu próprio elemento, devem evitar.
   
Pensamento crítico
Uma boa História da Filosofia seria o contrário da fossilização forçada dos conceitos que vemos hoje. Seria diálogo e constante crítica com o que foi pensado e estabelecido como tal, com vista ao estatuto do tempo presente no qual cada pensador está, querendo ou não, situado. Uma questão, todavia, se impõe. Por devoção pessoal, ou necessidade subjetiva, um professor de Filosofia pode ser um sujeito anacrônico, alguém despreocupado com a reflexão e a invenção de conceitos próprias à capacidade de pensar organizada como Filosofia. Ninguém está proibido de anacronismo. O anacronismo é, pode-se dizer, um direito. Mas há que justificá-lo quando se ensina Filosofia.
   
Dizer, portanto, da diferença entre Filosofia e História da Filosofia não é sinalizar um abismo entre o tempo passado e o tempo presente, ou um combate à tradição, nem, muito menos, dizer que a Filosofia deve ficar longe de sua própria história, ou separada dela como de algo nocivo. Seria fundamentalismo ou ignorância postular uma origem absoluta da Filosofia no tempo presente de qualquer consciência. Nem a Filosofia longe de sua história é, de antemão, garantia de Filosofia alguma. A própria questão da relação entre ambas precisa ser bem posicionada para evitar mal-entendidos na consciência de cada estudante e de cada pesquisador ou professor. A Filosofia, portanto, não precisa nem deve ser tratada, pura e simplesmente, como a História da Filosofia. Há que se ponderar sua tensão a cada vez que ela se coloca, seja na sala de aula, seja onde for.
   
A Filosofia, como nome próprio ou marca registrada, é o contrário do pensamento crítico em nome do qual algo como Filosofia como liberdade do pensamento pode existir. A ampliação do território do pensamento é o que está hoje em jogo. É essa liberdade que possibilita o diálogo, sua ação mais significativa em termos sociais. Assim como um dia Maurice Blanchot teve a feliz idéia de postular a inexistência d’A Literatura, afirmando que ela se cria e recria a cada vez que um escritor escreve um livro, é preciso defender hoje que a Filosofia é criada e recriada a cada vez que alguém se dá ao trabalho de elaborar, de modo organizado e com espírito sistemático, as concepções, as teorias, as interpretações que aparecem no rumo de sua pesquisa. Isso também define que Filosofia não é uma mera conversa, um mero debate em torno de idéias que fazem parte do jargão conceitual vigente, mas uma busca consistente em torno de uma possibilidade, a de que exista a verdade. Só há sentido em buscá-la à medida que se deixa claro o lugar de onde cada um que pensa é capaz de expressar-se. A Filosofia, nesse sentido, é uma experiência compartilhável que começa com o fato inexorável do pensamento de cada um num contexto de trocas discursivas em que todos estão implicados, independentemente do seu grau de informação ou formação.
Extraído: Revista Cult

voz como ferramenta de trabalho

Abril 20, 2008 by jojomaravilha

Rio - A voz pode revelar idade, sexo, procedência geográfica, o estado emocional e até traços de personalidade de cada indivíduo. Poucos percebem, no entanto, que ela é um importante instrumento de trabalho. Estudos populacionais demonstram que até 70% da força ativa de trabalho depende da voz para o exercício da sua profissão — vendedores, professores, comunicadores de rádio e televisão, locutores, atores, cantores.

“A emissão da voz é uma das tarefas mais especializadas do ser humano, quando são recrutados vários sistemas do organismo para a produção vocal. Precisamos de funcionamento adequado dos pulmões, traquéia, laringe (pregas vocais), língua, boca, sistema nervoso central e audição, entre outros sistemas para que a voz seja formada e emitida”, disse a fonoaudióloga Nadia Vilela, do Conselho Regional de Fonoaudiologia de São Paulo (CRFa – 2º Região).

Executivos ou candidatos a vagas em empresas são constantemente avaliados pela forma como falam. Melhorar o padrão de comunicação, portanto, pode ser fundamental no desenvolvimento e construção de uma carreira profissional. Sem falar, ainda, na importância do domínio pleno da voz no incremento das relações pessoais — clareza, dicção, velocidade da fala, melodia vocal, entre outros aspectos, que integram a chamada Psicodinâmica Vocal.

“Trabalhar com os aspectos da psicodinâmica ajuda o indivíduo a ter mais controle sobre a compreensão que as pessoas terão acerca do que ele está dizendo. Entram aí as questões da melodia vocal — pode-se passar agressividade muito mais pelo tom de voz do que pelas próprias palavras utilizadas — e da clareza da dicção também”, afirmou Nadia.

Cuidados essenciais

A especialista lembra, também, que no último dia 16 de abril a Campanha Nacional da Voz completou dez anos de existência. O objetivo central da campanha, que realiza atividades em todo o país até o fim deste mês, é informar e prevenir a população sobre hábitos incorretos no uso das cordas vocais que podem resultar em doenças como a laringite, o nódulo, a leucoplasia, os cistos e o câncer de laringe - a mais grave entre todas.

“Esquece-se da saúde vocal até que ela esteja comprometida. Ardor, pigarro, rouquidão, irritabilidade, dor no pescoço, dificuldade em engolir e a sensação de ‘uma bola na garganta’ são os principais sintomas. Se estes sintomas persistirem por mais de 15 dias, já é motivo de preocupação”, disse Nadia Vilela.

A prevenção pode passar por atitudes simples como não gritar, não beber líquidos gelados, abolir o consumo de cigarro e bebidas alcoólicas, tomar bastante água e dar pequenas pausas para as cordas vocais durante o dia.

“Quando diagnosticados precocemente, os problemas de saúde vocal têm grandes chances de serem solucionados. O tratamento de problemas vocais pode ser realizado através de mudança de hábitos nocivos, medicação, fonoterapia ou cirurgia. As chances de cura do câncer de laringe, por exemplo, chegam a mais de 90% quando há diagnóstico precoce”, afirmou a especialista.

Extraído: O DIA

O boletim dos campeões

Abril 20, 2008 by jojomaravilha

Os santos do Rio de Janeiro continuam fortes. Na avaliação relativa a 2007, dois deles chegaram à frente de 18 796 escolas de todo o Brasil, com as maiores médias do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O Colégio São Bento comemora 150 anos de funcionamento no topo absoluto da pirâmide, seguido pelo Santo Agostinho, do Leblon, outro exemplo em matéria de tradição e apreço à disciplina. O Enem trouxe boas novas para os cariocas. Pelo critério das médias na prova objetiva, na redação e na correção de participação – ajuste estatístico que simula o resultado como se todos os alunos de uma escola tivessem feito o teste –, oito entre as vinte melhores escolas do país estão na cidade.

Com base nos resultados do Enem 2007, Veja Rio apresenta um perfil das dez melhores instituições de ensino da cidade, segundo a listagem divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação. O fato de outras escolas estarem fora das principais colocações não as desmerece necessariamente. Não é apenas através da classificação em provas e vestibulares que se deve avaliar a qualidade da educação. De qualquer forma, o exame serve como um ótimo referencial para os pais acompanharem a formação dos filhos. “Após a divulgação do Enem, pedimos uma reunião com a direção para saber se alguma mudança vai ser feita no ensino”, diz Letícia Lins e Silva, mãe de Iná, de 14 anos, aluna da 9ª série da Escola Parque, na Gávea, que ficou em vigésimo lugar entre os colégios cariocas, depois de ter sido a quinta em 2005. “Adoro a filosofia da escola, mas quero ter certeza de que minha filha está sendo bem preparada.”

Realizado pela primeira vez em 1998 para apenas 115 000 participantes, o Enem chega a sua décima edição com 2,8 milhões de candidatos voluntários. Em todo o país, o exame serve de porta de entrada para 600 estabelecimentos de ensino superior. Aqui, 62 faculdades utilizam esse resultado, mas apenas uma é pública, a Uni-Rio. Trata-se de uma avaliação diferente dos vestibulares tradicionais. Ninguém precisa ter na ponta da língua o nome dos donatários das capitanias hereditárias ou conhecer a tabela periódica de trás para a frente. O importante é saber interpretar textos, gráficos e imagens. “Não adianta querer fazer cursinho ou aulas especiais preparatórias para o Enem, pois a prova utiliza uma bagagem que o estudante deveria ter acumulado ao longo da vida”, destaca Regina Canedo, diretora da Moderna Organização Pedagógica Integrada (Mopi), quarta colocada do município na avaliação. “Ficamos muito felizes com o excelente resultado, mas nenhum de nossos alunos utilizou o Enem para entrar na universidade”, diz a supervisora pedagógica do São Bento, Maria Elisa Penna Firma. No Santo Agostinho, dois alunos aproveitaram as boas notas para garantir uma vaga na medicina da Uni-Rio.

Há quem tenha estranhado na lista do Inep a ausência de escolas que costumam alardear em anúncios seu sucesso nos vestibulares. É que ficaram de fora as que não preencheram os dados pedidos no último censo escolar, como o Centro Educacional da Lagoa, o Colégio Pentágono e o pH. “Para obter uma informação de melhor qualidade, mudamos de metodologia”, afirma Maria Inês Pestana, responsável pelo censo. “Em vez de pedir apenas o número de alunos, passamos a solicitar informações cadastrais de cada um deles.” Só no Rio, 198 colégios deixaram de entrar na listagem, praticamente um quarto das escolas particulares. “Como a correção de nota é feita com base no número de alunos contabilizados no censo, não foi possível incluí-las”, explica Maria Inês. “Nunca foi dito que haveria essa ligação entre o censo e o Enem”, reclama o diretor administrativo do colégio pH, Márvio Lima. “Não nos sentimos autorizados a revelar dados cadastrais dos alunos. Essa medida de agora me soa a retaliação.” Apesar das ausências, a listagem divulgada pelo Enem revela um retrato encorajador sobre o ensino privado no Rio.

O que os dez colégios têm

Bons professores
51% possuem pós-graduação

Salários satisfatórios
A média paga aos professores é de 4 160 reais por 25 horas semanais

Atividades interdisciplinares
Todas promovem cursos e excursões ou requisitam trabalhos que entrelaçam várias áreas do saber

Preparação para o vestibular
Aumentam a carga horária no 3º ano do ensino médio

Avaliação permanente
Além das provas regulares, cobram trabalhos entregues no prazo, blocos de exercício para nota e participação em sala de aula

Seleção dos alunos
As escolas promovem provas de acesso

Laboratórios e bibliotecas atualizados
Em nove dos dez melhores colégios, tais salas possuem recursos modernos e, principalmente, são locais bem utilizados para aulas e estudo livre.

Ranking

Classificação
Nome
Nota
1
Colégio São Bento
82,96
2
Colégio Santo Agostinho
82,04
3
Colégio Santo Inácio
79,68
4
4) Moderna Organização Pedagógica Integrada (Mopi)
79,66
5
Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Cap/UFRJ)
79,63
6
Colégio Santo Agostinho/ Novo Leblon
79,20
7
Instituto de Tecnologia Ort
78,95
8
Colégio São Vicente de Paulo
78,28
9
Escola Alemã Corcovado
77,60
10
Colégio Saint Patricks
77,42
11
Colégio Cruzeiro
76,82
12
Colégio Teresiano
76,76
13
Colégio Andrews
76,72
14
Colégio QI (Leblon)
76,40
15
Colégio Marista São José
76,32
16
Instituto de Aplicação Fernando R da Silveira CAP/UERJ
76,25